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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Onde devo entregar o meu dízimo (parte 2)

 Volto a discorrer sobre este tema porque algumas pessoas me pediram para acrescentar mais alguma informação para poderem debater em suas pastorais. Como acredito que outras pessoas tem a mesma vontade então coloco um texto mais longo sobre o tema.
A pastoral do dízimo deve saber de que dízimo não deve ser cobrado do fiel, porque dízimo não se cobra; dízimo se oferta, se devolve. O fiel deve, alegremente, sair de sua casa e se dirigir ao templo para oferecer a sua devolução a Deus. Este não é um momento para chantagear Deus com grandes ofertas nem de barganhar o perdão dos pecados com Deus. Um fiel que conhece a Palavra do Senhor está consciente da importância de se tornar dizimista e a finalidade do mesmo.


Falar de dinheiro com um fiel é uma situação delicada que pode, em alguns casos, até afastá-lo da Igreja, principalmente se ele não concordar com os argumentos apresentados pelos agentes da Pastoral do Dízimo. Pedir para alguém colocar a mão no bolso e fazer uma doação para ajudar na manutenção de um templo pode gerar situações constrangedoras, mesmo sabendo que as pessoas são generosas e sensíveis a este apelo.
As pessoas são mais receptivas a uma evangelização bem feita, por saberem que na Bíblia está a palavra de Deus e nela acreditar. Sempre surgem oportunidades para evangelizar e estes momentos são preciosos para fundamentar o dízimo, explicando o que significa e a importância do mesmo. As missas também são bons momentos de conscientização que não devem ser perdidos, devendo ser bem preparadas pela equipe do dízimo de forma periódica.
Um ponto deve ficar bem explicado nestes momentos de conscientização: Dízimo é uma coisa; dinheiro é outra coisa. Falar que a comunidade tem despesas e que todos devem colaborar é uma forma de angariar dinheiro. Explicar, com fundamentos bíblicos, que o dízimo é bíblico e está registrado nas escrituras é evangelizar sua comunidade e torná-la mais cristã e responsável.
Sabemos que o bolso é um órgão extremamente sensível, muito mais do que qualquer outro órgão do corpo humano. Como escreveu Dom Aloísio Roque Oppermann scj (2009)1, o bolso reage “em dores agudas, a qualquer medida invasiva. O nervo exposto do dinheiro pode até levar a um coma sentimental”. É difícil convencer uma pessoa a partilhar os seus bens com outras que ela sequer conhece. Pense na relutância em ajudar um desconhecido quando ele te aborda no meio da rua, alegando fome ou doença. Como você reage? Fica desconfiado, relutante ou abre logo a bolsa e entrega parte do que tem?
O caminho para convencer os fiéis a serem dizimistas não é impondo valores, mas evangelizando. O caminho de conscientização pode ser o mais demorado e o mais longo, mas é o mais seguro. Uma vez conscientizado e evangelizado o fiel será mais um agente propagador do dízimo no seio de sua comunidade, pois é uma pessoa consciente de seu papel dentro da comunidade que frequenta e se sente corresponsável pela sua manutenção. Esta pessoa cresce como cristão, pois afasta de seu coração os sentimentos de mesquinhez e cresce o sentimento de partilha.
Jesus Cristo e seus apóstolos nunca obrigaram ninguém a ser dizimista nem nunca obrigou o exercício desta prática aos integrantes daquelas comunidades, porém, pregaram a prática da partilha, incentivaram coletas e a prática da generosidade.
Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras e casas vendiam-nas, e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade. Assim José (a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé que quer dizer Filho da Consolação), levita natural de Chipre, possuía um campo. Vendeu-o e trouxe o valor dele e depositou aos pés dos apóstolos. (At 4, 34-37)
A Igreja ensina que devemos ajudá-la em suas necessidades de acordo com o tamanho de nosso coração e do nosso bolso, mas não determina com qual valor, ou seja, ela não estipula o valor da contribuição e nem percentuais.
O quinto mandamento (“contribuir para as necessidades materiais da Igreja, cada um segundo as próprias possibilidades”) recorda aos fiéis que devem ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades. (CIC 2043)
A devolução mensal do dízimo favorece o orçamento das paróquias, porque tendo a certeza de que poderá dispor destes recursos todos os meses poderá melhor planejar as suas atividades, não assumindo compromissos fora da realidade financeira. Se a entrada de recursos financeiros não for regular a paróquia ou comunidade nunca poderá realizar um planejamento eficaz.
Então que cada cristão se eduque e ao receber seus vencimentos mensais primeiramente separe o que é de Deus e o entregue na Igreja em forma de dízimo.   Se o dizimista falhar um mês que no próximo ele atualize as suas doações, porque se ele assumiu um compromisso com Deus que o cumpra, pois Deus nunca falha com os seus filhos.
O dízimo deve ser devolvido sempre no templo, pois está escrito em Deuteronômio (12, 11) “então, ao lugar que o Senhor, vosso Deus, escolheu para estabelecer nele o seu nome, ali levareis todas as coisas que vos ordeno: vossos holocaustos, vossos sacrifícios, vossos dízimos, vossas primícias e todas as ofertas escolhidas que tiverdes prometido por voto ao Senhor”. A pessoa pode entregar na secretaria, aos plantonistas do dízimo, depositado em alguma caixa específica para este fim, em envelope durante as ofertas ou qualquer outra forma estabelecida na comunidade ou na paróquia. Mas o importante é que o ato de devolução do dízimo seja no templo, conforme a passagem bíblica reproduzida no início do parágrafo.
Algumas paróquias mantêm o costume da equipe do dízimo visitar as famílias em suas casas para receber o dízimo. Esta forma tem o inconveniente de parecer uma cobrança; e dízimo não deve ser cobrado. A devolução do dízimo deve ser realizada alegremente e de forma espontânea, fruto de uma conscientização do fiel.
As visitas dos agentes do dízimo às famílias da comunidade devem ser realizadas e estimuladas pelo pároco, mas para visitas em datas especiais para aqueles fiéis, como aniversários de casamento ou natalícios, por exemplo. Nesta oportunidade se levam mensagens de felicitações e até, se possível, um presente. Há comunidades e paróquias que a equipe do dízimo se reúne com os aniversariantes do mês em um momento de confraternização onde se distribui presentes e se comemora a data festiva. As visitas também podem servir para se prestar contas e agradecer pela contribuição realizada.
Em casos de atrasos na contribuição do dízimo o fiel pode ser procurado pela equipe do dízimo, mas não para cobrar os pagamentos em atraso, mas para verificar se o fiel está enfrentando algum problema que o levou a não mais contribuir com a sua comunidade. Nesta visita pode ser verificada a ocorrência de alguma enfermidade grave na família ou a perda de um emprego, por exemplo. Havendo a ocorrência de algum fato grave que comprometeu a renda do dizimista, a equipe pode e deve oferecer a ajuda da paróquia (com o consentimento do pároco) para aliviá-lo dos problemas que o atormentam. O dízimo inclui a sua dimensão social e deve ser estendida a quem já contribui com a paróquia e agora precisa de ajuda, tanto material quanto espiritual. Se neste momento de tormenta o dizimista se sentir abandonado pela comunidade que ele tanto ajudou pode se sentir injustiçado e se ressentir de seus irmãos que não o ajudaram no momento de dificuldade.
O fato do fiel já contribuir durante a missa no momento destinado às ofertas não o isenta da contribuição do dízimo. A liturgia prevê um momento em que convida-nos a ofertar os nossos dons diante do altar do Senhor e nesse momento devemos oferecer o que trazemos em nosso íntimo e também fazemos a nossa oferta material. Todos devem participar deste momento que faz parte da liturgia e se não participarmos não estaremos vivendo a liturgia de forma plena. “Celebrarás então a festa das Semanas em honra do Senhor, teu Deus, apresentando a oferta espontânea de tua mão, a qual medirás segundo as bênçãos com que o Senhor, teu Deus, te cumulou”.(Dt 16, 10). Fazer esta oferta não dispensa o fiel de ser dizimista, assim como dar esmola e contribuir com instituições de caridade também não o isenta de devolver o dízimo.