Professor Evaldo Gomes
É facilmente perceptível que se o ensino escrito fosse realmente o exclusivo, Jesus e todos os apóstolos teriam tido primeiro a preocupação de escrever e depois pregar a Palavra oralmente. Mas aconteceu o contrário. Logo é impossível ser a Escritura a única regra de fé. É claro que se a Escritura fosse a única autoridade de fé, Jesus não deixaria de ele mesmo escrever sua doutrina. É claro também que todos os apóstolos escreveriam, não apenas alguns, como aconteceu. E ainda mais: acharia que Paulo escreveria cartas para pequenas comunidades em vez de escrever para todos os cristãos? A Escritura, então, não é, nem pode realmente ser a única regra de fé.
O argumento que cita o livro do
Apocalipse para dizer que Cristo orientou os apóstolos a escreverem (1,11.19;
2,1.8.12.18; 3,1.7.14 ;21,5) não procede, pois, o fato de o Senhor orientar S.
João para escrever um único livro, o Apocalipse, não desautoriza o nosso
argumento, uma vez que durante toda a sua vida Ele nunca escreveu nem mandou
nada escrever. Ora, se fosse obrigatória a escrita, com certeza Ele teria
escrito ou pelo menos teria mandado os apóstolos escreverem, isso é lógico; mas
isso Ele nunca fez. O fato de mandar S. João escrever o Apocalipse, não
invalida, então, essa outra realidade. Por que ele não escreveu, nem mandou os
apóstolos escreverem, mas, ao contrário, mandou-os pregar oralmente? Além
disso, o fato de Ele ter mandado escrever paralelamente ao lado de mandar
pregar oralmente, demonstra apenas a existência de duas autoridades: a
autoridade oral da Igreja e a autoridade da escrita. Não justificaria, mesmo
assim, a exclusividade das Escrituras.
Fonte: Programa
falando de Fé